sábado, 3 de dezembro de 2011

A observação é o aprendizado

O discípulo se preparava para liderar seu povo. Procurou o mestre no alto da montanha para pedir o aval e orientações finais. O mestre perguntou:

- Qual a importância deste rio?

O discípulo olhou para o rio, a floresta ao redor, a vila onde se instalava seu povo e respondeu-lhe:

- Esse rio é a fonte do sustento de nossa vila. Ele nos fornece a água que bebemos, a colheita da plantação, o transporte das mercadorias e muito mais. Sem ele não estaríamos aqui e nosso futuro depende do futuro dele.

O mestre colocou a mão na cabeça do discípulo e pediu-lhe que continuasse a observar. Os meses se passaram e o mestre perguntou ao discípulo:

- Observe este rio; qual a importância dele?

- Mestre, esse rio é fonte de inspiração para nosso povo. Veja sua nascente: ela é pequena e modesta, mas com o curso do rio se torna forte e poderosa. Esse rio nasce e tem um objetivo: chegar ao oceano. Mas sabe que, para chegar lá, terá de passar por muitos lugares e por muitas mudanças. Terá de receber afluentes, contornar obstáculos. Como o rio, temos que aprender a fluir. O formato do rio é definido pelas suas margens, assim como nossa vida é influenciada pelas pessoas com as quais convivemos. O rio sem suas margens não é nada. Sem nossos amigos e familiares, também não somos nada. O rio flui de acordo com o terreno; nós também temos de aprender a desviar nossas rotas. O rio nos ensina que uma curva pode significar a solução de problemas, e isso não o desmerece. Logo depois da curva, podemos achar um vale que desconhecíamos. O rio tem suas cachoeiras, suas turbulências, mas continua em frente, porque tem um objetivo. O rio nos ensina que uma mudança imprevista pode ser uma oportunidade de crescer. Veja no fim do vale: o rio recebe de braços abertos um novo afluente e, assim , torna-se mais forte. Nós temos de mudar e nos adaptar, mas nossos sonhos e objetivos estarão sempre presentes ao longo do caminho. Observo também que o rio não pergunta o que ele pode usufruir da árvore, e sim como pode ajudar a árvore. É como se o "eu" se realizasse pelo "nós". Ajudando a árvore, os pássaros e animais, o rio, indiretamente, ajuda a si próprio.

O mestre colocou a mão na cabeça do discípulo e pediu-lhe que continuasse a observar. Os meses se passaram . Novamente o mestre perguntou:

- Observe este rio. Qual a importância dele?

- Mestre, vejo o rio em outra dimensão. Vejo o ciclo das águas. Esta água que está indo já virou nuvem, chuva e infiltrou-se na terra por várias vezes.Vejo as enchentes e também quando o rio parece secar. O rio nos ajuda a não observar apenas a parte aparente desse fluxo, e isso é a mudança. A enchente e a seca do rio fazem parte de um processo maior. Para entendê-los, temos de enxergar todo o ciclo. Entendendo o ciclo, a mudança deixa de ser inesperada e passa ser esperada. Sempre que nós chamamos algo de mudança é porque não estamos percebendo o ciclo maior. O rio nos mostra que, se aprendermos a perceber os ciclos, o que chamamos de mudança será apenas a continuidade do ciclo. Será que um dia serei capaz de entender o fluxo da vida?

O mestre colocou a mão novamente na cabeça do discípulo, sem responder-lhe a pergunta e pediu-lhe que continuasse a observar. Os meses se passaram e o mestre perguntou:

- Observe este rio. Qual a importância dele?

- Mestre, este rio me mostrou que cada vez que eu observo, aprendo algo diferente. Não aprendo quando as pessoas me dizem algo; aprendo quando as coisas fazem sentido para mim. A observação é o aprendizado, quando sabemos contemplar.

- Vá e siga o seu caminho, pois você agora sabe como é difícil aprender a aprender.

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