Primeiro ele tentou
uma cadeira com um assento convencional de lona, mas riscou-a da lista por ser
cara demais. Sabia que precisava de algo barato e durável, praticamente
indestrutível. A cadeira deveria ser capaz de atravessar montanhas, pântanos e
desertos, de suportar calor e frio com um mínimo de manutenção. Schoendorfer
sabia que muitas pessoas no mundo viviam com menos de dois dólares por dia e
não poderiam sequer sonhar em comprar uma cadeira de rodas que custasse
centenas ou até milhares de dólares.
Finalmente ele
descobriu o que precisava:
a tradicional cadeira branca de plástico para
jardins. Don vasculhou liquidações e comprou cadeiras aos
montes por três dólares a unidade. A seguir, percorreu corredores de lojas e
supermercados em busca de pneus de bicicleta mais baratos e de parafusos com a
melhor relação custo-benefício.
Durante toda essa
busca, ele se lembrava da estrada no Marrocos por onde tinha passado quase 30
anos antes. Em 1977, ele e sua esposa, Laurie, no sufocante calor da tarde, em
Tétouan, viram uma mulher inválida arrastando-se pela estrada, quase como uma
cobra, usando as unhas para se deslocar. Naquele país, os deficientes físicos
eram considerados inferiores aos mendigos e tratados com supremo desprezo. Na
estrada empoeirada do Marrocos, Schoendorfer decidiu ajudar.
Agora, enquanto
colocava dois pneus de bicicleta na cadeira e soldava rodinhas de metal preto
e suportes, o engenheiro formado pelo MIT sentiu as coisas se encaixando. Ao
girar a simples cadeira, pensou: “Talvez seja exatamente isso.”
Você venceu Don — o
pastor da igreja de Schoendorfer declarou quando viu a pequena cadeira branca.
Em nove meses, ele tinha construído 100 cadeiras de rodas e sua garagem parecia
um centro de reabilitação protética.O pastor sugeriu que
ele levasse as cadeiras para uma próxima missão médica da igreja na Índia. Mas
quando Don foi à primeira reunião de planejamento os missionários do grupo não
ficaram muito impressionados.
— Quanto você acha que o transporte
dessas cadeiras irá custar? - um deles perguntou.
Apesar de deprimido e
desanimado, Schoendorfer continuou comparecendo às reuniões. “Acho que eles
imaginavam que se ignorassem aquele homem esquisito ele iria desistir”, ele
recorda com um sorriso. Por fim, concordaram
em deixá-lo levar quatro cadeiras para a Índia. Numa abarrotada enfermaria nos
arredores de Chennai, Don viu um pai carregando o filho inválido de 11 anos.
“Esse é o momento” pensou. Correu ao encontro dos dois com uma cadeira.
Assim que o menino,
Emmanuel, se sentou, Don soube que sua invenção tinha algum poder de
cura. O jovem parecia surpreso e encantado. A mãe disse, traduzindo as palavras
do filho: — Deus abençoe você por essa carroça.
Quando Don
voltou para casa, a empresa onde ele trabalhava faliu. Decidiu então
sustentar-se com a fabricação de cadeiras. O dinheiro começou a escassear, e
Laurie foi trabalhar na Social Security Administration. Desde aquela primeira
doação, a ONG de Schoendorfer, Free Wheelchair Mission (Missão de Cadeiras de
Rodas Gratuitas), já entregou gratuitamente mais de 61000 cadeiras a pessoas
que desejavam desesperadarnente deslocar-se. No próximo ano, a missão planeja
doar mais 100.000.
Atualmente, as cadeiras
são produzidas em duas fabricas chinesas e podem ser entregues em qualquer
lugar do mundo por apenas 42 dólares. Elas já foram enviadas para 45 países,
entre os quais o Iraque. Com mais de 100 milhões de inválidos pobres vivendo
em países em desenvolvimento, Schoendorfer sabe que seu trabalho está longe do
fim.
A cada viagem para
entregar mais cadeiras, o inventor vê o efeito da sua invenção na vida das
pessoas. Indra, de Chennai, nunca tinha ido à escola, mas agora estuda para ser
arquiteto. Uma jovem mãe angolana que teve as pernas arrancadas por uma mina
terrestre hoje cuida de seus filhos pequenos. Um indiano de Cochin contou aos
voluntários que rezou diariamente durante 52 anos para que alguém fosse bom
para ele. Aquela cadeira foi a primeira manifestação de bondade em sua vida.Os voluntários sempre
fotografam as pessoas que manobram suas recém adquiridas cadeiras pela
primeira vez.
Don Schoendorfer
alimentou seu desejo de ajudar os outros durante 30 anos e finalmente pôde
concretizar seu sonho. Tomando a iniciativa, começou na garagem de sua casa um
movimento que chegou às fábricas da China e supriu de cadeiras de rodas pessoas
necessitadas no mundo inteiro. Seus olhos agora estão voltados para a sua meta
de 20 milhões de cadeiras. Se ele continuar a mostrar o mesmo grau de iniciativa,
temos certeza de que conseguirá.- Você
espera que os outros resolvam os problemas – inclusive os seus - ou toma a
iniciativa de tentar resolve-los você mesmo?

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