quarta-feira, 1 de maio de 2013

A iniciativa de Don Schoendorfer

O engenheiro mecânico Don Schoendorfer da Califórnia,  determinado a criar a cadeira de rodas mais barata do mundo, acordava de madrugada e, antes de ir para o trabalho, passava três horas todos os dias labutando em uma mesa de trabalho montada na sua garagem.

Primeiro ele tentou uma cadeira com um assento convencional de lona, mas riscou-a da lista por ser cara demais. Sabia que precisava de algo barato e durável, praticamente indestrutível. A cadeira deveria ser capaz de atravessar montanhas, pântanos e desertos, de suportar calor e frio com um mínimo de manutenção. Schoendorfer sabia que muitas pessoas no mundo viviam com menos de dois dólares por dia e não poderiam sequer sonhar em comprar uma cadeira de rodas que custasse centenas ou até milhares de dólares.
Finalmente ele descobriu o que precisava:
a tradicional cadeira branca de plástico para jardins. Don vasculhou liquidações e comprou cadeiras aos montes por três dólares a unidade. A seguir, percorreu corredores de lojas e supermercados em busca de pneus de bicicleta mais baratos e de parafusos com a melhor relação custo-benefício.

Durante toda essa busca, ele se lembrava da estrada no Marrocos por onde tinha passado quase 30 anos antes. Em 1977, ele e sua esposa, Laurie, no sufocante calor da tarde, em Tétouan, viram uma mulher inválida arrastando-se pela estrada, quase como uma cobra, usando as unhas para se deslocar. Naquele país, os deficientes físicos eram considerados inferiores aos men­digos e tratados com supremo desprezo. Na estrada empoeirada do Marrocos, Schoendorfer decidiu ajudar.
Agora, enquanto colocava dois pneus de bicicleta na cadeira e soldava ro­dinhas de metal preto e suportes, o engenheiro formado pelo MIT sentiu as coisas se encaixando. Ao girar a simples cadeira, pensou: “Talvez seja exa­tamente isso.”

Você venceu Don — o pastor da igreja de Schoendorfer declarou quando viu a pequena cadeira branca. Em nove meses, ele tinha construído 100 cadeiras de rodas e sua garagem parecia um centro de reabilitação protética.O pastor sugeriu que ele levasse as cadeiras para uma próxima missão médica da igreja na Índia. Mas quando Don foi à primeira reunião de pla­nejamento os missionários do grupo não ficaram muito impressionados.
     — Quanto você acha que o transporte dessas cadeiras irá custar? - um deles perguntou.

Apesar de deprimido e desanimado, Schoendorfer continuou compare­cendo às reuniões. “Acho que eles imaginavam que se ignorassem aquele homem esquisito ele iria desistir”, ele recorda com um sorriso. Por fim, concordaram em deixá-lo levar quatro cadeiras para a Índia. Numa abarrotada enfermaria nos arredores de Chennai, Don viu um pai carregando o filho inválido de 11 anos. “Esse é o momento” pensou. Correu ao encontro dos dois com uma cadeira.
Assim que o menino, Emmanuel, se sentou, Don soube que sua invenção tinha algum poder de cura. O jovem parecia surpreso e encantado. A mãe disse, traduzindo as palavras do filho:                Deus abençoe você por essa carroça.

Quando Don voltou para casa, a empresa onde ele trabalhava faliu. Decidiu então sustentar-se com a fabricação de cadeiras. O dinheiro começou a escassear, e Laurie foi trabalhar na Social Security Administration. Desde aquela primeira doação, a ONG de Schoendorfer, Free Wheelchair Mission (Missão de Cadeiras de Rodas Gratuitas), já entregou gratuitamente mais de 61000 cadeiras a pessoas que desejavam desesperadarnente deslocar-se. No próximo ano, a missão planeja doar mais 100.000.
Atualmente, as cadeiras são produzidas em duas fabricas chinesas e podem ser entregues em qualquer lugar do mundo por apenas 42 dólares. Elas já foram enviadas para 45 países, entre os quais o Iraque. Com mais de 100 mi­lhões de inválidos pobres vivendo em países em desenvolvimento, Schoendorfer sabe que seu trabalho está longe do fim.

A cada viagem para entregar mais cadeiras, o inventor vê o efeito da sua invenção na vida das pessoas. Indra, de Chennai, nunca tinha ido à escola, mas agora estuda para ser arquiteto. Uma jovem mãe angolana que teve as pernas arrancadas por uma mina terrestre hoje cuida de seus filhos pe­quenos. Um indiano de Cochin contou aos voluntários que rezou diaria­mente durante 52 anos para que alguém fosse bom para ele. Aquela cadeira foi a primeira manifestação de bondade em sua vida.Os voluntários sempre fotografam as pessoas que manobram suas recém­ adquiridas cadeiras pela primeira vez.
Don Schoendorfer alimentou seu desejo de ajudar os outros durante 30 anos e finalmente pôde concretizar seu sonho. Tomando a iniciativa, começou na garagem de sua casa um movimento que chegou às fábricas da China e supriu de cadeiras de rodas pessoas necessitadas no mundo inteiro. Seus olhos agora estão voltados para a sua meta de 20 milhões de cadeiras. Se ele continuar a mostrar o mesmo grau de iniciativa, temos certeza de que conseguirá.

  • Você espera que os outros resolvam os problemas – inclusive os seus - ou toma a iniciativa de tentar resolve-los você mesmo?

Nenhum comentário:

Postar um comentário