O futuro parecia
promissor para John Baker, um jovem de 24 anos, na primavera de 1969. No auge
de uma surpreendente carreira atlética, e considerado um dos mais rápidos
corredores do mundo em sua categoria, seu maior sonho era ser representante dos
Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de 1972. Na adolescência, nada
nele sugeria tal excelência. Com corpo franzino e alguns centímetros mais baixo
do que a maioria de seus amigos, John era considerado “demasiadamente
descoordenado” para as pistas de corrida. Mas durante o seu terceiro ano no
ensino médio, algo mudou o curso de sua vida. Havia algum tempo que
o treinador da escola, Bill Wolffarth, vinha tentando persuadir um atleta alto
e promissor chamado John Haaland – que era o melhor amigo de Baker – a entrar
para a equipe de corredores. Haaland não queria.
- Deixe-me entrar
para a equipe – Baker sugeriu um dia. – Talvez isso faça Haaland mudar de
idéia.
Wolffarth concordou,
e a manobra funcionou. Dessa forma, John Baker tornou-se um corredor.
- Lá vem o Goff –
disse. A seguir, levantou o binóculo. – Meu Deus! – gritou. – Aquele não é o
Goff! É o Baker!
Deixando um grupo de
corredores surpresos muito atrás, Baker cruzou a linha de chegada sozinho. O
seu tempo estabeleceu um novo recorde para aquele tipo de corrida.O que acontecera do
outro lado da colina? Mais tarde Baker explicou. No meio do percurso, enquanto
corria muito atrás dos líderes, ele se perguntou: “Estou fazendo o melhor que
posso?” Ele não sabia. Fixando os olhos nas costas do corredor imediatamente à
sua frente, procurou se concentrar ao máximo. Apenas uma coisa importava:
alcançar e ultrapassar aquele corredor e depois partir para o próximo. Uma
desconhecida reserva de energia surgiu em seu corpo. “Era quase hipnótico”,
Baker recordou. Um a um, foi ultrapassando os outros corredores. Ignorando o
cansaço que dilacerava seus músculos, manteve o ritmo frenético até cruzar a
linha de chegada e desmaiar de exaustão.
Teria sido um golpe
de sorte? No restante da temporada, Wolffarth inscreveu Baker em diversas
outras competições e o resultado foi sempre o mesmo.Ao pisar na pista, o
modesto e despreocupado adolescente e tornava um agressivo e implacável
competidor- um corredor determinado que simplesmente não admitia ser derrotado.
No final do terceiro ano o ensino médio, Baker tinha quebrado seis recordes
estaduais e durante seu ultimo ano na escola foi proclamado o melhor corredor
de uma milha já nascido em seu estado. Ele ainda não completara 18 anos.
O Campeão
O Campeão
No outono de 1962,
Baker entrou para a universidade de Novo México, em Albuquerque, e intensificou
seu treinamento. A cada amanhecer, com uma latinha de spray na mão para afastar
cachorros bravos, ele corria pelas ruas da cidade, pelos parques e campos de
golfe —
Baker liderou durante
uma volta e então, propositalmente, caiu para a quarta posição. Calhoun e Bess
assumiram inquietos a liderança cedida. Johnson, cauteloso, manteve-se atrás.
Na última curva da terceira volta, Baker e Johnson partiram para a frente ao
mesmo tempo — e se chocaram. Lutando para não cair, Baker perdeu preciosos
metros e Johnson assumiu a liderança. Faltando apenas 300 metros para a
chegada, Baker acelerou o ritmo. Primeiro Bess e, a seguir, Calhoun ficaram
para trás. Na última curva, Johnson e Baker estavam lado a lado. Lentamente,
Baker assumiu a liderança. Com ambas as mãos estendidas acima da cabeça,
formando um V de vitória, cruzou a linha de chegada — venceu por três segundos.
Inspirados pelo triunfo de Baker, os Lobos arrasaram nas competições seguintes,
impondo aos desmoralizados Trojans a terceira pior derrota em 65 anos.
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