sexta-feira, 29 de março de 2013

O Coach John Baker - 1ª Parte

A Ultima corrida de John Baker

O futuro parecia promissor para John Baker, um jovem de 24 anos, na primavera de 1969. No auge de uma surpreendente carreira atlética, e considerado um dos mais rápidos corredores do mundo em sua categoria, seu maior sonho era ser representante dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de 1972. Na adolescência, nada nele sugeria tal excelência. Com corpo franzino e alguns centímetros mais baixo do que a maioria de seus amigos, John era considerado “demasiadamente descoordenado” para as pistas de corrida. Mas durante o seu terceiro ano no ensino médio, algo mudou o curso de sua vida. Havia algum tempo que o treinador da escola, Bill Wolffarth, vinha tentando persuadir um atleta alto e promissor chamado John Haaland – que era o melhor amigo de Baker – a entrar para a equipe de corredores. Haaland não queria.
- Deixe-me entrar para a equipe – Baker sugeriu um dia. – Talvez isso faça Haaland mudar de idéia.
Wolffarth concordou, e a manobra funcionou. Dessa forma, John Baker tornou-se um corredor.

 Explosão de Energia
A primeira competição daquele ano era uma corrida de três quilômetros no sopé da colina de Albuquerque. A maioria dos olhares estava concentrada no campeão local desse tipo de prova, Lloyd Goff. Imediatamente após o estampido do revolver, os corredores partiram, e como era esperado, Goff, à frente, estabelecia o ritmo, tendo Haaland em seus calcanhares. Ao fim de quatro minutos, os corredores desapareceram, um a um, atrás de uma pequena colina na ultima curva do percurso. Um minuto se passou, e mais um. E então apareceu uma fiqura solitária. O treinador Wolffarth cutucou um auxiliar.

- Lá vem o Goff – disse. A seguir, levantou o binóculo. – Meu Deus! – gritou. – Aquele não é o Goff! É o Baker!
Deixando um grupo de corredores surpresos muito atrás, Baker cruzou a linha de chegada sozinho. O seu tempo estabeleceu um novo recorde para aquele tipo de corrida.O que acontecera do outro lado da colina? Mais tarde Baker explicou. No meio do percurso, enquanto corria muito atrás dos líderes, ele se perguntou: “Estou fazendo o melhor que posso?” Ele não sabia. Fixando os olhos nas costas do corredor imediatamente à sua frente, procurou se concentrar ao máximo. Apenas uma coisa importava: alcançar e ultrapassar aquele corredor e depois partir para o próximo. Uma desconhecida reserva de energia surgiu em seu corpo. “Era quase hipnótico”, Baker recordou. Um a um, foi ultrapassando os outros corredores. Ignorando o cansaço que dilacerava seus músculos, manteve o ritmo frenético até cruzar a linha de chegada e desmaiar de exaustão.

Teria sido um golpe de sorte? No restante da temporada, Wolffarth inscreveu Baker em diversas outras competições e o resultado foi sempre o mesmo.Ao pisar na pista, o modesto e despreocupado adolescente e tornava um agressivo e implacável competidor- um corredor determinado que simplesmente não admitia ser derrotado. No final do terceiro ano o ensino médio, Baker tinha quebrado seis recordes estaduais e durante seu ultimo ano na escola foi proclamado o melhor corredor de uma milha já nascido em seu estado. Ele ainda não completara 18 anos.

O Campeão
No outono de 1962, Baker entrou para a universidade de Novo México, em Albuquerque, e intensificou seu treinamento. A cada amanhecer, com uma latinha de spray na mão para afastar cachorros bravos, ele corria pelas ruas da cidade, pelos parques e campos de golfe — 40 quilômetros por dia. O treinamento deu frutos. Em qualquer lugar onde os Lobos do Novo México competiam, Baker derrubava qualquer previsão e vencia os favoritos. Na primavera de 1965, quando estava no terceiro ano, a equipe mais temida de corredores de pista no país era a da Universidade da Califórnia do Sul. Por isso, quando os poderosos Trojans chegaram a Albuquerque para uma dupla competição, os comentaristas esportivos profetizaram a derrota dos Lobos. A vitória ficaria com os “Três Grandes” da U.C.S . — Chris Johnson, Doug Calhoun e Bruce Bess, nessa ordem. Todos eles tinham tempos melhores que o de Baker.

Baker liderou durante uma volta e então, propositalmente, caiu para a quarta posição. Calhoun e Bess assumiram inquietos a liderança cedida. Johnson, cauteloso, manteve-se atrás. Na última curva da terceira volta, Baker e Johnson partiram para a frente ao mesmo tempo — e se chocaram. Lutando para não cair, Baker perdeu preciosos metros e Johnson assumiu a liderança. Faltando apenas 300 metros para a chegada, Baker acelerou o ritmo. Primeiro Bess e, a seguir, Calhoun ficaram para trás. Na última curva, Johnson e Baker estavam lado a lado. Lentamente, Baker assumiu a liderança. Com ambas as mãos estendidas acima da cabeça, formando um V de vitória, cruzou a linha de chegada — venceu por três segundos. Inspirados pelo triunfo de Baker, os Lobos arrasaram nas competições seguintes, impondo aos desmoralizados Trojans a terceira pior derrota em 65 anos.

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