Era uma vez um porco que pensava… ele via seus amigos se divertindo,
saboreando a lavagem gostosa, bebendo da água fresca e adoravam brincar na lama, pulando e rolando. Os porcos não pensavam. Mas ele, não se sabe por
que, começou a pensar. E como adquiriu o pensamento, ficou curioso. E foi ver o
que acontecia com os porcos depois que eles eram tirados dos currais e
entravam nos caminhões. Descobriu que os porcos alegres e felizes eram transportados e posteriormente
encaminhados para um extenso corredor que afunilava numa estreita passagem … e
quando se aproximavam da porta do abatedouro, viu a angustia, o medo e o
desespero, inútil de toda a porcada…. isso levava poucos minutos…
pois até aquele momento, a porcada vivia uma felicidade total.
Voltou para o curral e procurou conscientizar seus amigos. Mas, tudo fora em vão. Os outros porcos, felizes e gordos, não davam atenção
nenhuma ao porco que pensava… e o expulsaram dali. Ele embrenhou-se na mata,
fez amizade com os bichos selvagens e olhava de longe aquela porcada feliz. Um
dia, os caminhões vieram e foram todos colocados no transporte. O porco que
pensava já sabia do destino de todos eles. Correu para o esconderijo de onde
podia ver os últimos minutos da vida dos seus amigos. Muitos ainda riam, gordos,
felizes… mas, a cada passo, com o cheiro do sangue no ar, já há alguns metros
do portal de entrada do abate do matadouro, a adrenalina subia e os porcos se debatiam de
terror. Ao olharem ao longe, viram o porco que pensava observando-os… e gritaram,
na linguagem suína… traidor, por que você não nos avisou. Eu avisei disse o
porco que pensava, mas não há nada que um porco possa fazer que mude o destino
de uma porcada…
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