terça-feira, 27 de maio de 2014

O perdão justo

Em certa cidade europeia, um homem ignorante, considerado malfeitor, foi condenado à morte na forca. O Juiz fora severo no julgamento. Afirmava que o infeliz era grande criminoso e que só a pena última podia solucionar lhe a situação.

Alguns dias antes do enforcamento, o magistrado veio ao cárcere, em companhia de um filho, jovem alegre e de bom coração que, aproximando-se de um velho soldado, pôs-se a examinar lhe a arma de fogo, mas sem que o rapaz pudesse refletir no perigo do objeto que revirava nas mãos, um tiro escapou, rápido, e, com espanto de todos, a bala em disparada alojou-se num dos braços do condenado à morte, que observava a cena, tranquilamente, da grade.

Banhado em sangue, foi socorrido pelo juiz e pelos circunstantes e, porque a palavra do magistrado fora dura e cruel para o filho irrefletido, o prisioneiro lembrou os ensinamentos do pai, ajoelhou-se aos pés do visitante ilustre e suplicou-lhe desculpas para o moço em lágrimas, afirmando que o jovem não tivera a mínima intenção de feri-lo.

O juiz notou a profunda sinceridade da rogativa e, em silêncio, passou a reparar que o condenado era portador de nobre coração e de inexprimível bondade e no dia imediato, promoveu medidas para a revisão do processo que lhe dizia respeito e, em pouco tempo, a pena de morte era comutada para somente alguns meses de prisão.

Perdoando ao rapaz que o ferira, o prisioneiro encontrou perdão justo para suas faltas, conseguindo, desse modo, recomeçar a vida, em bases mais sólidas de paz, confiança, trabalho e alegria.

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