sábado, 24 de agosto de 2013

A boa fortuna

Certa vez um artista pobre deixou o aconchego do lar e saiu em busca da fortuna. Após três anos de muitos esforços, ele conseguiu economizar três mil peças de ouro e decidiu retornar ao lar. Em seu caminho de regresso, encontrou um grande templo onde se realizava uma sublime cerimônia de oferendas.
Muito impressionado com o ritual, pensou: "Até aqui, somente pensei no presente, nunca me preocupando com a felicidade futura. É obra da minha boa fortuna eu ter vindo a este lugar; devo aproveitar a ocasião e plantar as sementes do mérito."  Assim pensando, caridosamente doou todas as suas economias ao templo e regressou para casa sem um vintém.

Quando chegou ao lar, sua esposa o repreendeu por não ter trazido nenhum dinheiro para seu sustento. O artista pobre lhe respondeu que havia ganho algum dinheiro e que havia guardado em um lugar seguro. Mas, pressionado pela mulher, ele confessou que o havia dado aos monges de um certo templo.

Esta ação do marido a deixou furiosa e ela ralhou com ele e confiou o caso ao juiz local. Quando o juiz lhe pediu que apresentasse sua defesa, o artista disse que não tinha agido totalmente, pois havia ganho o dinheiro através de longas e árduas lutas e queria usá-lo como semente da futura felicidade. Chegando ao templo, pareceu-lhe aí ter encontrado o campo onde pudesse plantar seu ouro, como semente da boa fortuna. Continuando, acrescentou: "Quando dei ouro aos monges, pareceu-me que estava jogando fora toda cobiça e mesquinhez de minha mente, e pude compreender que a verdadeira riqueza não é o ouro e sim a mente."

O juiz louvou a mente do artista, e todos aqueles que o ouviram manifestaram sua aprovação e simpatia, ajudando-o de muitas maneiras. Assim, o artista e sua mulher passaram a desfrutar da perene boa fortuna.

(Bukkyo Dendo Kyokai)

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