sábado, 22 de novembro de 2014

O ego da impaciência

Em épocas remotas, a vida humana corria sem preocupações e exigências do presente, os trabalhos eram desempenhados sem a pressão do tempo. O relógio não inquietava o homem, desenvolvendo as demandas sem urgência. Com a tecnologia avançando rapidamente, os conflitos trabalhistas, o declínio da moral, iniciamos uma nova era na busca de satisfação de desejos materiais que perturbam o homem e faz com caia na impaciência.

O problema econômico, do trânsito, da moradia, são angústias que surgem diariamente na mente de todos e as demoras suportadas, com a consciência do tempo que se perde, aumentam os fatores molestos que incitam o ânimo e estimulam o impulso da urgência.

Uma das medidas diárias sugeridas para praticarmos pela manhã, é a oração da amanhã.

ORAÇÃO DA MANHÃ

Senhor,
No silêncio deste dia que amanhece,
venho pedir-Te a Paciência, a Sabedoria e a Força.
Quero olhar hoje o mundo com os olhos cheio de Amor.
Ser paciente, compreensivo e prudente,
ver além das aparências teus filhos como tu mesmo os vês,
e assim somente ver o bem em cada um.
Cerra meus ouvidos a toda calúnia,
guarda minha língua de toda maldade,
Que só de bênçãos se encha meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos quantos
se achegarem a mim sintam Tua presença.


Más causas produzem maus efeitos e essas más causas, por sua vez se encontram vinculados à Lei do débito e do crédito. Por que temos que sofrer se podemos pagar com boas ações? A impaciência nestes casos nos prejudicam quando decidimos mudar de  caminho, pois não é concebível que pessoas sérias não lutem pela paciência. Jesus disse: "Com paciência possuireis vossas Almas".

O impaciente fica estagnado e fracassa, por isso, precisamos nos tornar mais profundos no pensar. Sendo apenas superficiais, somos como as poças que se formam nos caminhos, como atoleiros sem fundo, as águas apodrecem e só fica o lodo. Pessoas do profundo pensar são como lagos profundos, ali palpita a vida, ali vivem os peixes e precisamos nos tornar muito profundos para descobrir tantas e tantas coisas para conseguirmos melhorar nossa paciência.



Minutos de Reflexão

É fácil apontar os erros alheio, mais é difícil admitir os próprios erros. Um homem divulga os erros dos outros sem pensar, entretanto, oculta os seus próprios erros, como um jogador esconde falsos dados.

(A doutrina de Buda - 1996)

domingo, 9 de novembro de 2014

O ensino através das fábulas I

Um homem que vivia perto de um cemitério, uma noite, ouviu uma voz que o chamava de uma sepultura. Sendo tímido demais para sozinho investigar o que se passava, confiou o ocorrido a um corajoso amigo que, após estudar o local de onde saíra à voz, resolveu ir, à noite, para ver o que acontecia.
Anoiteceu. Enquanto o tímido tremulava de medo, seu amigo foi ao cemitério e ouviu a mesma voz saindo de uma sepultura. O amigo perguntou-lhe quem era e o que desejava. A voz, vinda de baixo, respondeu: "Sou um tesouro oculto e decidi dar-me a alguém. Eu me ofereci a um homem ontem à noite, mas ele era tão medroso que não veio buscar, por isso dou-me a você que é merecedor. Amanhã de manhã, irei à sua casa com meus sete seguidores."

O amigo disse: "Estarei esperando por você, mas, por favor, diga-me como devo trata-los." A voz replicou: "Iremos vestidos de monge. Tenha uma sala pronta para nós, com água. Lave o corpo, limpe a sala e tenha cadeiras e oito tigelas de sopa. Após a refeição, você deverá conduzir cada um de nós a um quarto fechado, no qual nos transformaremos em potes cheios de ouro."

Na manhã seguinte, o homem lavou o corpo e limpou a sala, como lhe fora ordenado, e ficou a espera dos oito monges. À hora acordada, eles apareceram, sendo cortesmente recebidos pelo homem. Depois que tomaram a sopa, ele os conduziu um por um ao quarto fechado, onde cada monge se transformou em um pote cheio de ouro.

Um homem muito ganancioso que vivia nesta mesma aldeia, ao tomar conhecimento do incidente, desejou ter os potes de ouro. Para tanto convidou oito monges para virem até sua casa. Depois que eles tomaram a refeição, o ganancioso, esperando obter o almejado tesouro, conduziu-os a um quarto fechado, mas ao invés de se transformarem em potes de ouro, os monges denunciaram o ganancioso à polícia que o prendeu.

Quanto ao tímido, quando ouviu que a voz da sepultura havia trazido riqueza ao seu corajoso amigo, foi até a casa dele e avidamente lhe pediu ouro, insistindo que era seu, porque a voz foi dirigida primeiramente a ele. Quando o medroso tentou pegar os potes, neles encontrou apenas cobras, erguendo as cabeças prontas para ataca-lo.

O rei, tomando conhecimento deste fato, determinou que os potes pertenciam ao corajoso homem e proferiu a seguinte observação: "Assim se passa com tudo neste mundo. Os tolos cobiçam apenas os bons resultados, mas são tímidos demais para procura-los, e por isso, estão continuamente falhando. Não tem fé nem coragem para enfrentar as intestinais lutas da mente, com as quais, exclusivamente, pode-se atingir a verdadeira paz e harmonia."

(A doutrina de Buda - 1996)