sábado, 16 de junho de 2012

José e o pescador - parte II

Os jovens da cidade formaram um grupo de estudos com José e o pescador; e logo espalharam aos quatro ventos que eram discípulos de sábios. Um dos jovens perguntou, certa manhã:

- José você resolveu largar tudo para dedicar-se à busca da sabedoria?

- Não - disse José.  - Eu corria risco de morte na cidade onde vivia.

Mas os discípulos aprendiam coisas importantes, e logo transmitiam a outras pessoas. Com a chegada de um famoso biógrafo na cidade, iniciou-se o relato da vida dos Dois Sábios, como eram conhecidos. José e o pescador contaram o que lhes tinham acontecido.

- Mas nada disso reflete a sabedoria de vocês - disse o biógrafo.

- Tem razão - respondeu José. - Mas é a verdade. Nada de especial aconteceu em nossas vidas.

O biógrafo escreveu durante vários meses. Quando o livro foi publicado, transformou-se num grande best seller. Era uma maravilhosa e excitante história de dois homens que buscavam o conhecimento, largavam tudo que faziam, lutavam contra as adversidades e encontravam mestres secretos no plano astral.

- Não é nada disso - disse José, ao ler sua biografia.

- Santos precisam ter vidas excitantes - respondeu o biógrafo. - Uma história tem de ensinar algo, e a realidade nunca ensina nada.

José desistiu de argumentar . Sabia que era a realidade que ensinava tudo aquilo que um homem precisa saber, mas não adiantava tentar explicar isso ao biógrafo.

"Que os tolos continuem vivendo com suas fantasias", disse ele ao pescador.

E ambos continuaram a ler, a escrever, a pescar, a trabalhar , a ensinar os discípulos, a fazer o bem. Só prometeram nunca mais tornar a ler livros sobre a vida de Santos, já que as pessoas que escrevem este tipo de livro não compreendem uma verdade bem simples: tudo que um homem comum faz em sua vida o aproxima de DEUS.

terça-feira, 12 de junho de 2012

José e o pescador - parte I

José era um funcionário público de uma pequena cidade do interior e sem perspectiva de emprego melhor, estava resignado a passar o resto de sua vida trabalhando oito horas por dia, tentando se divertir assistindo à televisão durante as noites e os fins de semana.

Certo dia, José viu dois galos brigando. Com pena dos animais, foi até a praça para separá-los, sem se dar conta de que estava interrompendo uma luta de galos de briga. Irritados, os espectadores espancaram José. Um deles o ameaçou de morte, porque o seu galo estava quase ganhando e irira receber uma fortuna em apostas.

Com medo José resolveu deixar a cidade. As pessoas estranharam quando ele não apareceu no emprego, mas como havia vários candidatos para o posto, esqueceram-se rapidamente do antigo funcionário.

Depois de uma semana viajando, José encontrou um pescador.

- Aonde você está indo? - perguntou o pescador.

- Não sei - respondeu José.

Compadecido com a situação do homem, o pescador levou-o para sua casa e depois de uma noite inteira de conversas, descobriu que José sabia ler e escrever; na manhã seguinte propôs ensinar José a pescar que em troca receberia aulas de alfabetização.

José aprendeu a pescar e com o dinheiro dos peixes, comprou livros para ensinar o pescador e lendo aprendeu muitas coisas que não sabia. Um dos seus livros prediletos ensinava marcenaria, e José resolveu montar uma oficina e junto com o pescador compraram ferramentas e passaram a fazer mesas, cadeiras, estantes e equipamentos de pesca.

Muitos anos se passaram e os dois continuaram a pescar e contemplavam a natureza durante o tempo que passavam no rio. Os dois também continuavam a estudar, e os muitos livros desvendavam a alma humana. Os dois continuavam a trabalhar na marcenaria, e o trabalho físico os deixava saudáveis e fortes.

José adorava conversar com os fregueses  e como agora era um homem culto, sábio e saudável, as pessoas pediam conselhos. A cidade inteira começou a progredir, porque todos viam em José alguém capaz de dar boas soluções aos problemas da região.

continua ...